Itamaraju: Professor Oswaldo parte deixando saudades

Neste dia, os itamarajuenses se despedem de um grande ser humano chamado OSWALDO JOSÉ LUCAS, vítima de um acidente de trânsito .O  acidente de trânsito aconteceu nas primeiras horas da manhã deste sábado (18), na BA-489, entre os municípios de Itamaraju e Prado, próximo ao distrito de Guarani e de acordo com informações a vítima identificada pelo pré nome de Osvaldo teria perdido o controle da direção, capotado o veículo por várias vezes e batido contra uma árvore ás margens da rodovia. Com a gravidade da colisão o veículo pegou fogo.

Transeuntes ainda fizeram o resgate da vítima até a chegada do SAMU 192 que esteve no local, mas constatou que Osvaldo já não apresentava sinais vitais.

A Polícia Civil esteve no local removendo o corpo para o Instituto Medico legal de Itamaraju (IML) para exames de necropsia e posteriormente liberado a família para realização de velório e sepultamento. Osvaldo é de uma família tradicional de Itamaraju e era proprietário de um laboratório de analise clínicas do município.

Segue um texto de postagem anterior que nos diz um pouco do que ele representa para a nossa cidade.

Por Sidnei Oliveira via facebook

OSWALDO JOSÉ LUCAS ? Chamado pelos itamarajuenses de ?Doutor Oswaldo? ou ? ?Professor Oswaldo?, essa é mais uma pessoa carismática e querida da nossa cidade e que deixou a sua contribuição a muitos Itamarajuenses. Chegou em Itamaraju no ano de 1984, ocasião em que abriu o Laboratório de Análises e Pesquisas Clinicas (LAPCI), localizado na Avenida Brasil, primeiro estabelecimento do ramo na cidade. Muitos aqui no grupo realizaram e ainda realizam em seu laboratório os exames de sangue, fezes e urina, tão requisitados nas consultas médicas.

Entretanto, não é só por isso que Oswaldo merece o nosso reconhecimento, pois também deixou sua contribuição como professor na rede pública de ensino de Itamaraju, nas décadas de 1980 e 1990, trabalhando em escolas como o C.E.I, onde lecionava Química para alunos do antigo 2º Grau. Atualmente, encontra-se aposentado do magistério, mas é sempre acolhido de forma festiva pelos seus ex-alunos e para os quais nunca deixará de ser o “Professor Oswaldo”.

Com uma didática por vezes fora do convencional, fazia tudo o que hoje seria condenável, mas que na época era tolerável: entre uma explicação e outra, puxava um cigarro da carteira e a fumaça tomava a sala (risos); praticava bulling contra alguns alunos (Velho, você é feio pra caramba!); implicava com alunos de outras salas e pessoas alheias à escola que colocavam curiosamente a cabeça na janela (Meu irmão, você perdeu o rabo aqui dentro?!), não restando a estes outra alternativa que não a e deixar o local sem graça; ninguém como ele atirava um giz com tamanha precisão em alunos que atrapalhavam as aulas com conversas paralelas; quando um aluno se irritava com suas provocações, ele de forma cômica colocava as duas mãos na cintura, remexia o quadril de um lado para o outro e dizia ?Tô morrendo de medo de você, sua bichona!?, e o riso era geral.

Oswaldo fazia tudo isso, mas era um ?monstro? para explicar e fazer com que todos compreenderem os complexos assuntos da química com facilidade, de modo que suas provas eram orais e todos tinham de ter memorizada na cabeça a Tabela Periódica, com todos os seus elementos. O fato é que com isso, associado ao medo de serem reprovados, os alunos aprendiam a se superar, pois ele sempre mostrava que todos eram capazes. Na época, tratava-se de alguém que já estava muito além do seu tempo, fazendo suas previsões temerárias acerca do futuro, em meio à fumaça do cigarro circundando a sua cabeça, onde aconselhava os alunos a buscarem transformar as suas realidades através do estudo, citando a sua história de vida de maneira a inspirá-los. E hoje muitos dos seus ex-alunos quando o encontram casualmente pela cidade, ainda rendem gratidão pelos conselhos dele recebidos no passado.

Para aqueles que não sabem, embora já seja um itamarajuense de fato em face do tempo que reside na nossa cidade, Oswaldo é um capixaba que, dada as dificuldades da vida enfrentadas por sua família, teve de sair em busca de oportunidades no Rio de Janeiro, onde lá chegando foi motorista de taxi por quase 20 anos e encontrou na educação a única alternativa capaz de transformar a sua vida. E, assim, conciliando o trabalho com estudo, tornou-se bioquímico e teve a visão de vim para Itamaraju abrir o seu negócio, com o qual serve a nossa comunidade há 32 anos.

Hoje, com 66 anos, após ter superado alguns problemas de saúde, toca a sua vida com a mesma alegria de viver, dedicando-se a sua esposa Ednai Lucas (outro grande nome do magistério itamarajuense) e a sua filha Karen Margarida.

Salve, salve, “Mestre Oswaldo”!

 

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