Com recorde de nulos, Datafolha abre porta do inferno

 

 KENNEDY ALENCAR

A explosão de votos nulos e brancos num cenário em que o ex-presidente Lula ficaria fora da disputa presidencial é o principal destaque da última pesquisa Datafolha.

Novidade, essa taxa atinge quase um terço do eleitorado. Alcança 32% num cenário sem o ex-presidente. É recorde na série histórica do Datafolha. O maior índice de votos nulos e brancos havia sido medido em fevereiro de 2014, início da sucessão presidencial daquele ano e pós-manifestações de junho e julho de 2013. Na época, a taxa foi a 19% e espantou. Num dos cenários com Lula na disputa, os nulos e brancos chegaram hoje a 19%.

Um índice de 32% de nulos e brancos é mais ou menos como abrir a porta do inferno. Não se sabe o que sairá de lá. Melhor dizendo, dá para se ter uma ideia de que coisa boa não sairá.

Com Lula, há previsibilidade na disputa eleitoral. Sem o ex-presidente, a taxa de nulos e brancos dispara _cresce até 13 pontos percentuais. Isso traz riscos para a democracia, porque mostra que parcela enorme do eleitorado tende a deslegitimar o pleito.

O Brasil poderá viver problemas maiores do que tem hoje. Não convém subestimar a hipótese de piora. Num artigo analítico na própria ?Folha de S.Paulo?, os diretores do Datafolha, Mauro Paulino e Alessandro Janoni, alertam para o risco de ser eleito um presidente rejeitado por dois terços do eleitorado, a depender da dupla de candidatos que chegar ao segundo turno.

Um presidente eleito nessas condições não teria força perante o Congresso, não teria força para tocar a agenda impopular que interessa ao mercado e, muito provavelmente, seria um governante fraco, porque as pesquisas, na largada da administração, já registrariam alta taxa de rejeição.

Temer se entrincheirou no Congresso e abraçou uma agenda impopular porque não foi eleito para presidente. Assumiu com o impeachment de Dilma porque era vice.

Um presidente eleito que tente fazer o mesmo que Temer cometerá suicídio político se não tiver suporte. O segundo turno foi pensado justamente para tentar dar maioria ao eleito. Se esse político não conseguir reunir apoio na segunda fase, terá dificuldade para se legitimar e para governar.

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