Prefeitura de Itamaraju acusada de pagar serviço em rua que não foi asfaltada

Quem é morador de Itamaraju e vive em ruas não pavimentadas já deve ter ouvido algum comentário de moradores mais antigos afirmando que “essa rua já foi pavimentada duas ou três vezes no papel”.

Essa prática ilegal que nos remete ao passado parece estar de volta a atualidade no governo do médico Marcelo Angênica (PSDB). A acusação parte do Grupo Fiscaliza Itamaraju, formado por pessoas de vários segmentos sociais da cidade e que tem se didicado a fiscalizar e acompanhar de perto o poder público municipal.

Em mais uma nova denúncia, o Fiscaliza Itamaraju trás a grave constatação que a tão festejada obra de pavimentação asfáltica de algumas ruas do centro de Itamaraju pode ter sido superfaturada e ainda serviços não realizados foram pagos pelo município. A obra orçada em 1.414.213,34 (Um milhão, quatrocentos e quatorze mil, duzentos e treze Reais e trinta e quatro centavos), realizada pela empresa Scopel Construções e Pavimentações apresentam diversas irregularidades.

Segundo os membros do Fiscaliza, serviços que foram realizados por homens da Prefeitura de Itamaraju foram pagos à empresa. “Os homens da prefeitura fizeram os reparos no calçamento antes de aplicar o asfalto, todo mundo viu aquele batalhão de funcionários da prefeitura fazendo o serviço, e mesmo assim o prefeito pagou R$ 81 mil para a empresa como se ela tivesse feito a obra.”, afirma o membro do grupo.

Serviço pago e rua sem pavimentação

Em outro trecho da denúncia, os membros do Fiscaliza Itamaraju identificaram medições irregulares, pagas a maior, no serviço de asfaltamento realizado no centro da cidade. Segundo a denúncia, o trecho da rua Presidente Kennedy, que apesar de não ter sido concluída na sua totalidade, acabou sendo paga por completo. “A rua presidente Kennedy foi dividida em dois trechos: O primeiro era a parte calçada que vai da esquina da farmácia até a Igreja Batista, medindo 183 metros. A segunda parte é a de terra, conhecida como “trecho da tocha” que mede outros 56 metros, esse trecho já foi pago e não foi asfaltado”.

Segundo o Fiscaliza, apenas o primeiro trecho foi realizado, o segundo foi pago integralmente, porém foi única melhoria que foi notada foi a colocação de meio fio no canteiro central, serviço este realizado com mão de obra e materiais da própria prefeitura. “No lugar de asfalto, jogaram restos de borra que está sendo retirado da BR-101, isso é um crime de improbidade administrativa.”, finalizou a nota do Fiscaliza Itamaraju.

Medições maiores que o serviço executado

Os membros do Fiscaliza Itamaraju ainda disseram ter indícios de que as ruas foram medidas de forma irregular. “Pelas medições preliminares que fizemos, quase todas as ruas apresentam medições maiores que a extensão asfaltada, isso significa que ruas com 100 metros, podem ter sido pagas como se tivessem 120 metros ou mais. Até serviço de limpeza que foi executado pela prefeitura acabou sendo pago a empresa como se ela tivesse executado o serviço.

“Vamos solicitar que o Ministério Público pericie a obra, pois também identificamos trechos onde a espessura do asfalto aparenta ser menor que a contratada.”  O Fiscaliza Itamaraju deve apresentar hoje 5 a denúncia em desfavor do prefeito Marcelo Angênica, o secretário de Obras Antonio Charbel (Tonimaq) e o fiscal da obra, Paulo Cezar Souza Melo, que atestou a execução de serviços não realizados. O grupo vai pedir que o MP apure os fatos e que proceda o pedido de devolução dos valores supostamente pagos de forma irregular.

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